terça-feira, 13 de setembro de 2011

A “crepusculização” dos zumbis

Para o gênero de terror funcionar em uma determinada época, a melhor fórmula é pegar o que está na moda e bolar sua própria história – não necessariamente com uma perspectiva diferente do tema. Foi assim com monstros gigantes e zumbis radioativos em 1950 e 60 (com o medo da guerra nuclear e da radioatividade), com os serial killers nas décadas de 1970 e 80 (com vários filmes inspirados em casos famosos da época) e, mais recentemente, com os vampiros.

Ao contrários dos anteriores, entretanto, os sugadores de sangue abraçaram-se ao público jovem, especialmente com a série “Crepúsculo” e outros genéricos, que mudam o mito criado em torno da criatura e acrescentam novas características, como o brilho na luz e tudo mais.

Mas isso já é outra história – e nosso papo aqui é o zumbi, que é a nova criatura da moda. Você duvida? Vá até a livraria e veja a enorme quantidade de romances e outros estilos que englobam os mortos-vivos. Repare no número de notícias sobre filmes e games de zumbi saindo. E com essa popularidade tão crescente, chega algo inevitável, que batizei de “crepusculização” do morto-vivo.

Mas calma lá: não reclamo que os zumbis estão ficando populares. Acho isso ótimo, pois influencia uma série de produções de alta qualidade em mídias como a literatura, o cinema e os games. O problema é quando os mesmos conceitos introduzidos na saga dos vampiros, que mudam a mística da criatura e buscam um público jovem e que não quer saber de sustos, mas de drama, acaba caindo sobre nossos queridos comedores de carne.

Para mim, iso soa como se os adolescentes fossem inocentes demais para a nojeira do terror e precisassem de algo mais leve para entrarem no campo do terror. No caso, falo de “Sangue Quente”, livro de estreia de Isaac Marion, que conheci no baita site Páprica. Sintam a sinopse da editora:
imagem

“R é um jovem vivendo uma crise existencial: ele é um zumbi. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima.

Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a “vida” de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa.”

É bem isso que você leu: o morto-vivo ainda possui restos de consciência e….apaixona-se por uma viva, fazendo de tudo para protegê-la das hordas de zumbis que obviamente querem devorar a coitada. Ainda há um paralelo com dependência química, da mesma forma que Stephanie Meyer falou sobre virgindade em seu “Crepúsculo”.

Como o livro foi recém-lançado, ainda não é possível dizer que trata-se de um fenômeno. Ainda assim, todas as críticas que busquei foram positivas, mas tocam exatamente nesse “lado humano do zumbi”. Se quiser conhecer esse outro lado, recomendo que siga já para a livraria, enquanto ainda há exemplares por aí.

Ah, e uma adaptação para os cinemas vem aí, claro. Para quem está acostumado a atirar na cabeça das criaturas em Resident Evil, essa é uma realidade completamente diferente, não é mesmo?

Nenhum comentário:

Postar um comentário